Novo modelo do Ministério da Saúde troca o repasse por cadastro por uma avaliação de qualidade e desempenho das equipes
O Ministério da Saúde está reorganizando a maneira como distribui recursos para a porta de entrada do SUS. Com a estratégia Saúde Brasil 360, as Unidades Básicas de Saúde passam a ocupar o centro do cuidado no território, e o dinheiro federal enviado aos municípios deixa de depender só do número de pessoas cadastradas. O modelo antigo foi substituído por um sistema que considera qualidade e desempenho das equipes.
A mudança tem base na Portaria GM/MS nº 3.493/2024, que passou a vincular os repasses federais à organização do cuidado no território. Na prática, as equipes são avaliadas a cada quatro meses por indicadores divididos em três grandes eixos: Acesso, Qualidade do cuidado e Organização da gestão territorial, que medem, por exemplo, o acompanhamento de pessoas com diabetes e a ampliação do acesso às consultas.
O nome da estratégia traduz a proposta: a unidade de saúde deve dar um grande giro (360) no seu entorno para identificar o potencial do próprio território. Por isso, o programa prevê integração com outras políticas sociais, como o Programa Saúde na Escola e o Bolsa Família, além de investimentos em saúde digital e no trabalho das equipes do Mais Médicos e das equipes multiprofissionais.
Os primeiros resultados financeiros já chegaram aos municípios. O Ministério da Saúde iniciou, em 23 de janeiro de 2026, o pagamento da parcela única do novo financiamento da APS, referente ao exercício de 2025. Para os gestores locais, o desafio agora é organizar o trabalho das equipes e manter os dados atualizados, já que o desempenho medido pelos indicadores define quanto cada cidade vai receber.

